Uganga: Entrevista com Manu "Joker" Henriques

Por Antônio Bernardino

HL - Primeiramente obrigado pela entrevista, como está sendo a repercussão do álbum "Servus" por parte da mídia e dos fãs?

Manu “Joker” - A repercussão tem sido a melhor possível, entramos em várias listas de melhor álbum do ano, inclusive internacionais, e as vendas estão indo bem tanto nos shows quanto em lojas especializadas. O Spotify e demais mídias sociais também tem um papel muito importante nessa divulgação. Acreditamos realmente que temos um álbum forte nas mãos e trabalhamos pesado para isso.

HL - Ao longo de todos esses anos da Uganga, como você analisa a evolução da banda?

Manu -  Acho que somos uma banda que nunca se contentou em seguir uma fórmula pré determinada porém com o tempo aprendemos a fundir as nossas várias referências musicais com mais personalidade, em especial do “Vol. 03: Caos Carma Conceito” ( 2010) pra cá. Creio que nesse trabalho encontramos nosso som e depois disso é seguir evoluindo. Assim como tudo na vida a prática eleva os resultados, tocamos juntos há muitos anos, nos conhecemos e sabemos trabalhar em conjunto. 

HL - Me fala um pouco mais sobre a escolha do nome da banda ("Uganga").

Manu - O nome da banda inicialmente era Ganga Zumba que foi o nome de um rei que liderou o Quilombo de Palmares em Pernambuco durante o Brasil colônia, mas devido a existência de um registro anterior no nome de outra pessoa mudamos para Uganga que não significa nada em especial. É tipo uma entidade que criamos e que remete ao nome antigo, porém tem histórias interessantes que fomos descobrindo com o tempo. Ganga é a deusa do Rio Ganges na Índia e em Swahili remete a bruxaria. 

HL - Quais são as fontes de inspiração para as composições?

Manu -  Tudo que nos cerca. Usamos a linguagem das ruas, a maneira como falamos entre nós e tratamos na maioria das vezes de coisas do mundo real. Liricamente o leque é amplo mas existe uma conexão que mostra bem a nossa maneira de ver o mundo. Acredito que a melhor maneira de entender essa visão é lendo as letras. Musicalmente nossas referências principais são bandas de rock, metal e hardcore-punk, mas como disse acima o leque de influências é bem amplo e passa também por outros estilos.

HL - Sobre o tempo que você foi o baterista do Sarcófago, como foi essa experiência?

Manu - Foram anos divertidos e de muito aprendizado. Fiz amigos que levei pra vida toda, não necessariamente dentro da banda. Aprendi muito sobre gravação e ajudei a criar um legado que reverbera até hoje. Tenho muito orgulho desse legado.


HL - Vocês já tocaram em grandes festivais aqui no Sul de Minas, inclusive, conheci a Uganga através do Festival Roça 'n' Roll, como foi a experiência de tocar aqui?

Manu: Foi demais! Lamento muito que o festival não tenha seguido e espero que volte um dia, o país precisa do Roça N Roll. O ano 2010 foi onde tocamos muito, inclusive no exterior,  e tenho lembranças incríveis desse dia. Uma delas é de estar no camarim junto com os caras do Gangrena Gasosa e do Amen Corner batendo papo. Um vestido de Zé Pilintra, o outro de Corpse Paint e nós alí no meio chapando com eles (risos). Surreal! Lembro também de estar batendo um papo com a Fernanda Lira (Nervosa) e de ter o André Matos ao meu lado concedendo uma outra entrevista. Foi um lance rápido mas que ficou na memória, é triste que ele tenha ido embora tão cedo.

HL - Manu, mais uma vez agradeço pela entrevista, deixe um recado para os fãs e seguidores da Headbanger's Land. Abraços 

Manu: Ouçam “Servus” nas redes sociais, se curtirem comprem o material físico e se comprarem colem nos shows pra cantarmos juntos e virar umas cervejas. Paz a todos!

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